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Este Informe sobre a situação de direitos humanos na Venezuela é apresentado num momento particular: a culminação da gestão do atual presidente da República Hugo Rafael Chávez Frías, que em dezembro de 2006 completa quase oito ano (1). A ocasião é oportuna para apresentar o contexto político e social no qual se desenvolveu essa gestão, avaliando-a ao mesmo tempo da perspectiva dos direitos humanos, precisando em que condiciones se encontra e quais são os desafios colocados ao Estado, ao governo e à sociedade nos próximos anos para consolidar o sistema democrático e garantir a todas as pessoas todos os direitos humanos sem nenhum tipo de discriminação.
Os tempos vividos têm sido contraditórios. Vividos com esperança, com angústias, e cheios de conflitos; anos de organização e mobilização social por motivações políticas e exigências de todo tipo de direitos.Anos onde os setores tradicionalmente excluídos foram visibilizados e sua situação conseguiu melhorar em alguns aspectos. Anos de recuperação econômica, de freio a políticas privatizadoras em serviços essenciais e de relativa democratização da riqueza. Por sua vez, foi um longo período onde mais uma vez o uso desproporcionado e abusivo da força deixa um significativo saldo de mortos e feridos, a arbitrariedade com que se exerceu o poder produziu presos políticos e milhares de trabalhadores foram despedidos por pensar diferente de como pensam e atuam as novas elites no poder. Período com um acentuado discurso de mudanças, pero em muitos aspectos com práticas e vícios do passado. Oito anos de ativa presença dos militares na vida institucional e social do país.
Anos de debilidade institucional, falta de independência dos poderes públicos e ineficiência na gestão pública. Em síntese, um período histórico complexo e contraditório onde a situação dos direitos humanos teve seus avanços, estancamentos e retrocessos.
A vontade soberana do povo venezuelano é quem vai decidir em 03.12.06 o contexto político e social dos tempos por vir.
Persistem duas visões sobre o país e seu futuro
A situação geral dos direitos humanos durante todo o período, se desenvolveu no marco de uma particular confrontação política entre duas visões acerca do modelo político e social que querem construir as forças no conflito. A nova dirigência política e principalmente seu líder Hugo Chávez, fundamentalmente através do seu discurso, mas também com ou desenho de algumas políticas, se propôs reivindicar os pobres, dar a eles mais protagonismo na vida social e política estimulando sua organização e mobilização: “o processo bolivariano á dinamizado na organização social e animado na possibilidade de reconhecimento, inclusão social e construção de soberania” (2) .
Desenvolveu uma confrontação contra as elites políticas e sociais do passado e parcialmente questionou e se afastou das políticas neoliberais no campo econômico e social (3). Se propôs fortalecer o papel do Estado como motor de mudanças e transformações (4) e no último ano de gestão expressou que o país avançaria para o socialismo do século XXI (5). Embora a situação dos pobres não tenha variado estruturalmente e a participação em certa medida foi dirigida e mediatizada pelo Estado, e em alguns casos exercendo coação (6), no imaginário de muitos setores populares se valorou positivamente essa inclusão simbólica. Isso explica, em boa parte, a alta popularidade com a que o Presidente culmina sua gestão. José Virtuoso explicou o fenômeno da seguinte maneira: “os setores populares não só observam em Chávez a esperança de uma dádiva populista. O Presidente se tornou em um símbolo que representa a esperança da inclusão, do reconhecimento e do protagonismo político para a população marginalizada do país [...]. Não atentar para esse fato é sinônimo de uma grande cegueira política”. (07)
A outra versão foi liderada pelos setores da classe política e econômica (08), que usufrutuam do poder desde 1958, que se apegaram às formas tradicionais de fazer política, reivindicaram os dogmas neoliberais e subestimaram a capacidade de organização e mobilização dos setores mais pobres. Divulgaram um discurso conservador no político, neoliberal no econômico e discriminador no social. Colocaram a defesa da propriedade privada como tema fundamental e se empenharam em questionar toda iniciativa do governo sem valorar os aspetos positivos ou negativos da mesma (09).
A confrontação se produz de diversas formas e em variados terrenos, embora tivesse como componente essencial à mobilização da população ao redor de uma ou outra visão (10). Nesse marco de mútuo questionamento e política de rua, saíram a reluzir expressões de totalitarismo não só da parte do governo, mas também das forças que o contrariaram.
Setores minoritários radicais de um e outro pólo impuseram ao país, durante não pouco tempo, uma agenda de violência e intolerância. A aliança governamental e particularmente o Presidente Chávez contribuíram a gerar esse clima pela maneira arrogante e excludente como administraram as estruturas do Estado. Uma classe média preocupada pelo seu futuro, que em seu imaginário sentia ameaçada a propriedade privada, influenciada pelos políticos conservadores e agitada pelos meios de comunicação social que se converteram em verdadeiros atores da contenda política, desconfiada das vias eleitorais para produzir mudanças (11) e em certa medida descuidada pelas políticas governamentais, foi para as ruas em aberto desafio ao governo.
Alguns analistas políticos afirmaram na época que: “O governo está pagando os caros erros da condução política do processo, a radical desproporção entre o discurso revolucionário e a ausência de mudanças de distribuição de poder e de políticas que apontem para modificações significativas das condições de vida das maiorias mais pobres. [...] Está pagando as conseqüências de um radicalismo verbal confrontador , intolerante e excludente –especialmente o próprio Presidente- que levou os setores empresarias [...] e a maior parte dos setores médios á reagirem como se estivesse levando o cabo na Venezuela uma revolução socialista, quando esse não era o caso (12) .
Desde os primeiros meses do ano de 2002, a oposição política incrementou sua capacidade mobilizadora. Ao descontentamento da população de classe média somaram-se componentes da Força Armada Nacional e em uma ação conjunta de civis e militares se produz um Golpe de Estado em 11.04.02 (13). Um governo ditatorial se instalou no país durante 48 horas. A dissolução dos poderes pela via de decreto, a destituição executiva de funcionários de eleição popular violando o direito constitucional de eleger e ser eleito e a perseguição e detenção de dirigentes, funcionários e simpatizantes do governo derrocado, mostrou em breve tempo o caráter repressivo e anti-popular do governo que se instalava, presidido pelo máximo dirigente da câmara empresarial do país (14). A curta experiência do governo de Pedro Carmona Estanga demonstrou que alguns dos setores que lideravam a outra visão do país e qualificavam ao governo de Chávez de tirano e totalitário, aspiravam impor um governo com essas características. Os fatos de abril demonstraram que quem liderava o movimento de oposição ao governo eram sectores conservadores e antidemocráticos.
Num documento que convidava o país a “embainhar a espada e arar pela inclusão social” Provea assinalava em fevereiro de 2002: “... na Venezuela nenhum setor tem o monopólio do estilo democrático de ação política. Pelo contrário, o risco do autoritarismo está presente nos setores radicalizados de ambos os bandos”. (15)
O Golpe de Estado foi resistido pelos fatores políticos despejados do governo e por amplos setores da população que viram frustrada uma esperança de mudanças. Pela ação de civis mobilizados espontaneamente na rua e de militares simpatizantes e integrantes do governo derrocado, restabeleceu-se o Presidente Chávez no poder e ele pode terminar seu período de governo (16).
A ausência de práticas democráticas para debater e canalizar as contradições presentes na sociedade venezuelana, estimuladas por diversas vias, levou o país ao escabroso caminho da polarização, da intolerância e da violência política. Mais de 100 mortos foi o saldo do conflito político (17).
Logo depois do Golpe de Estado, setores políticos radicalizados e intolerantes continuaram promovendo a violência: em 30.09.02, o secretário geral do partido Ação Democrática, Rafael Marin expressava: “são uns ingênuos os que ainda pensam na via do referendum para sair do governo [...] Essas fórmulas não são garantia para ninguém, aqui o que necessitamos é que os militares sacudam esse governo e apóiem o povo venezuelano, para a formação de um governo de transição” (18)
Entre dezembro de 2002 e janeiro de 2003, setores radicalizados da oposição promoveram uma paralisação petroleira que se transformou progressivamente numa greve geral, ao incorporar outros setores trabalhistas e sociais. A suspensão de serviços públicos, as afetações econômicas e sociais que produziu em todos os setores da população e em setores chave da economia, geraram de maneira progressiva um rechaço na população. Inclusive entre aqueles que inicialmente o apoiaram. Com o fracasso da paralisação, os sectores radicais se debilitaram e o governo tomou a iniciativa. 22.000 trabalhadores foram despedidos, abriram processos e alguns lideres saíram do país.
Entre fevereiro e março realizaram-se as violentas jornadas convocadas por setores da oposição denominadas Guarimbas (19). Os líderes da oposição conduziram um movimento social que tinha acumulado significativa força a adicionar fracassos após fracassos. O governo do Presidente Chávez fortaleceu-se e radicalizou seu discurso e as condutas excludentes, desqualificando toda crítica a seu governo como as provenientes das forças que prepararam e apoiaram o golpe de Estado e a paralisação petroleira.
A intolerância e a discriminação por razões políticas se desataram principalmente por parte do setor governamental (20). Pensar de forma diferente do pensamento oficial ou ser crítico da gestão de governo se converteu numa causa de demissão, um motivo para negar uma determinada gestão pública ou uma razão para ser desqualificado. A chamada lista Tascón (21) foi um episódio vergonhoso na história política e social desse período. E hoje centenas de homens e mulheres ainda padecem as conseqüências dessa discriminação (22). Além disso, no meio desse clima de terror no mundo do trabalho, em muitos órgãos e entidades do Estado, a participação nos atos públicos e marchas a favor do governo se foi fazendo obrigatória, já seja porque expressamente se ordenava ou porque no caso de não fazê-lo colocava-se em risco a estabilidade laboral.
A confrontação política teve outro hito importante, quando em 05.08.04 levou-se a cabo o referendum revocatório do mandato presidencial de Hugo Chávez. O resultado favoreceu a continuação do mandato presidencial por 59,09 contra 40,63% de quem optara pela revocatória do mandato. Apesar do reconhecimento dos observadores internacionais dos resultados eleitorais e da normalidade das votações a oposição não validou os resultados e denunciou uma suposta fraude (23).
Mesmo nos anos de 2005 e 2006 os níveis de intolerância tendo baixado, persistem os riscos de que o totalitarismo surja num ou outro lado da luta política, que a discriminação se mantenha e se recorra à violência com a finalidade de intimidar ou eliminar o adversário a quem qualifica como inimigo.
Sem dúvida que em boa medida a intolerância e discriminação, como muitas violações aos direitos humanos, foi favorecida pela falta de contrapesos institucionais ao Poder Executivo. A ausência de independência de entidades públicas fundamentais para a vida democrática do país como é a Assembléia Nacional (AN), o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), o Ministério Público (MP), a Defensoria do Povo (DP) e á Procuradoria Geral da República (CGR), permitiram que o Executivo Nacional atuasse fazendo usos de um desmedido poder.
Finalmente cabe mencionar que da confrontação produzida durante todos esses anos, paradoxalmente surgiu um mínimo consenso sobre um problema transcendental: oposição e governo coincidiram em que a pobreza é um dos principais problemas do país e para sua erradicação devem ser priorizados os recursos e as políticas públicas (24). Resta ver se o consenso no discurso se traduz em capacidade para converger em iniciativas e esforços. Apesar de que continuam existindo visões sobre o país que temos, e dentro delas uma variedade de posições e interesses, hoje há mais possibilidades para o encontro e para o diálogo na busca de acordos mínimos para afiançar uma democracia inclusiva nos próximos anos.
Protagonismo do setor militar na condução da coisa pública. O discurso bélico.
No ano de 2000, no meio do processo constituinte, Provea advertiu sobre os perigos que encontrava no que chamava “a arquitetura do poder” na nova Constituição e o peso e o lugar outorgado aos militares na mesma. Nesse momento afirmávamos: “Os militares constituem-se num poder que poderia atravessar o corpo social. Alguns dos elementos que permitem nos fazer tal afirmação são os seguintes: 1) as FAN perdem a característica de não deliberantes(o que é diferente a que tenham ganhado o direito ao voto, questão que valoramos positivamente); 2) além de sua submissão ao Presidente não há nenhum sinal explícito de submissão ao poder civil; 3) eles têm uma seguridade social e uma procuradoria próprias (mesmo assim neste último caso a Procuradoria Geral da República não perde toda possibilidade de ingerência sobre as FAN); 4) constitucionaliza segurança e defesa num título diferente ao dos Poderes Públicos; 5) estabelece o ante juízo de mérito feito no máximo tribunal para os oficiais Gerais e Almirantes; 6) Outorgasse às FAN o monopólio de controle, registro, comércio, posse de armas (atribuição que antes era realizada pelo poder civil); 7) passam de estar a serviço da República (Constituição de 1961) a estar a serviço da Nação (mudança que pode ser interpretada de maneira arriscada; 8) Eliminou-se a proibição de exercer simultaneamente a autoridade militar e civil por um mesmo funcionário. Se a todo isso se soma que a Constituição altera o nome da Venezuela por República Bolivariana da Venezuela, numa clara tentativa de ideologizar Bolívar a favor do partido de governo (de composição cívico-militar) que se assume como bolivariano, temos que a nova Constituição estabelece a possibilidade de um protagonismo militar na condução da vida pública” (25).
Ou seja, advertíamos sobre o risco de que progressivamente impusessem a visão e prática militar e se debilitasse a subordinação que deve ter a Força Armada Nacional (FAN) ao poder civil (26). Militares ativos têm ocupado e ocupam altos cargos na estrutura do Estado chegando inclusive a ser juízes e magistrados na jurisdição ordinária.
Outra porção importante de militares retirados ocupa cargos chave na estrutura nacional, estadual e municipal. Além disso, a linguagem militar se incorpora à vida publica: “missão”, “batalhas”, “unidades”, “brigadas” e outras expressões se incorporam à linguagem cotidiana daqueles que sentem alguma afinidade pelo governo.
A confrontação verbal entre o governo de Chávez e o presidente dos Estados Unidos George W. Bush foi um aditamento a mais para que a militarização avançasse e se consolidasse (27).
Conhecendo a historia intervencionista dos Estados Unidos nos assuntos internos de países e governos que são adversos os seus interesses e práticas hegemônicas, hoje agravada por um fundamentalismo bélico que utiliza o terrorismo como desculpa para aprofundar essa política, não pode descartar algum tipo de agressão por parte desse país. Embora o governo exagere o nível real da confrontação aproveitando a ocasião para incrementar o gasto militar (28).
Treinar a população no uso das armas, reanimar e acrescentar a reserva e fazer exercícios para enfrentar o inimigo que invadirá ao país, foram parte dos planos governamentais e consideravam-se prioritários frente à prestação do serviço civil. De igual forma, as organizações sociais foram estimuladas a assumir o aspecto militar como parte de sua atividade cotidiana (29). Num artigo de opinião, o vice-ministro de Relações Exteriores William Izarra afirmou: “as organizações populares do processo revolucionário venezuelano (políticas, sociais, culturais) têm que atuar de imediato com base na ordem de operações emitidas pelo Presidente em maio de 2004. Um de seus três objetivos estratégicos é a criação das estruturas populares de defesa integral” (30) .
Os Teatros de Operações que se estenderam ao longo da fronteira venezuelana passaram a se constituir no poder real naqueles lugares até onde chega sua jurisdição, com atuações que em alguns casos degeneraram em graves violações aos direitos humanos que afetaram a população civil assentada na zona.
Em contraposição, mesmo assim o setor militar ocupou espaços tradicionalmente administrados pelo setor civil, a estrutura militar se manteve hermética, o acesso à informação dos assuntos militares continuou sendo vedada, o Ministro da Defesa continua sendo um militar (31) e os militares passaram a ser um ator chave na vida política, econômica e social do país sem que a cidadania pudesse exercer controle sobre sua gestão.
Luzes e sombras da gestão bolivariana em direitos humanos
Após 8 anos de governo, o balanço sobre a situação dos direitos humanos projeta luzes e sombras. Mesmo com avanços ocorridos principalmente no campo dos direitos sociais, preocupam as enormes carências institucionais para prevenir as violações aos direitos humanos, investigar e sancionar os responsáveis e criar condições favoráveis e de longo alcance para seu desfrute e exercício. Ressalta-se a falta de vontade política em alguns casos e a ineficiência e improvisação em outros por parte dos órgãos e entidades do Estado para desenhar políticas consistentes, coerentes e integrais orientadas a alcançar uma melhor situação.
Deve-se lembrar que os setores políticos (32) que assumiram o poder no ano de 1998, liderados por Hugo Chávez, vinham de uma longa trajetória de questionamentos ao status quo que durante décadas estabeleceram os governos de Ação Democrática e COPEI. Criticaram e enfrentaram durante anos as violações aos direitos humanos (33). Prometeram transformar o país, revitalizar as instituições democráticas, acabar com a pobreza, combater a corrupção e garantir condições mais dignas de vida para todas e todos no país (34). Com esse propósito convocaram, organizaram e fizeram em 1999 uma Assembléia Nacional Constituinte (35). O resultado essencial da Assembléia foi a aprovação de um novo marco jurídico constitucional que o próprio governo qualificou como o programa de ação para construir a nova Venezuela (36).
Do processo constituinte surgiu um arcabouço jurídico consoante com os direitos humanos (37). Hugo Chávez assumiu a Presidência da República em 1999 (38) em meio a grandes expectativas quanto às possibilidades de se produzirem significativas transformações na sociedade venezuelana. Uma delas era alcançar uma melhora substancial no campo dos direitos humanos. Em seu programa de governo para o eleitorado Chávez expressou: “è preciso um conjunto de políticas a curto, médio e longo prazo mas que acima de tudo, sancionem efetivamente a transgressão da Lei, respeitando os direitos humanos das vítimas e seus vitimários” (39) . O discurso do novo Presidente questionando os massacres do passado, os abusos policiais, as torturas e anunciando o compromisso de que durante seu governo nunca a Força Armada usaria as armas contra o povo, constituíram, naquele momento, sinais de uma possível gestão que adotaria políticas públicas orientadas a melhorar as condições para o exercício e desfrute dos direitos. Além disso, o discurso presidencial proclive a promover e satisfazer os direitos econômicos, sociais e culturais (Desc), fortaleceu a esperança de que se avançaria na redução da pobreza, se reverteria a linha privatizadora dos serviços públicos adiantada pelo governo anterior e se adotariam medidas oportunas e adequadas para atender os graves déficits existentes nos setores educativo, saúde, seguridade social, habitação e outras áreas sociais. Também no seu programa de governo Chávez expressou: “a pobreza abarca múltiplas dimensões: éticas, sociais, econômicas, culturais, políticas e de direitos humanos. Por esta razão, o enfrentamento à pobreza é prioritário e fundamental para o Estado democrático” (40).
Entre as luzes desta gestão deve-se reconhecer em primeiro lugar duas conquistas das políticas implementadas pelo governo do Presidente Chávez vinculadas aos Desc. A primeira, ter detido os processos de privatização da educação, saúde e seguridade social, que avançavam aceleradamente durante o governo de Rafael Caldera e que, se não tivessem sido freados teriam piorado ainda mais as condições de vida da população excluída (41). A segunda, ter promovido reformas jurídicas no tema agrário, na área da habitação (42) e na seguridade social, coerentes com a garantia dos direitos.
Quanto aos avanços na situação dos direitos, em junho de 1999, o salário mínimo era de Bs.120.000 (185U$) e cobria 95% da cesta alimentar. Em 2005 situava-se em Bs.405.000 (188,37$) e cobria 115% da cesta. Quanto ao desemprego, segundo cifras oficiais, em 1999 era de 14,5% da população economicamente ativa. Em 2005, era de 11,4%. É importante destacar que desde 1999 iniciou-se uma linha descendente do desemprego, a qual se interrompe nos anos de 2002 e 2003 como conseqüência da conflitividade política e da paralisação petroleira. Se consideramos os dois aspectos anteriores, o salário e o nível de emprego, podemos concluir que teve uma houve melhora na situação dos trabalhadores do país.
(No direito à educação, produziu-se um aumento da cobertura, que se traduziu, entre outros índices, na melhora das taxas de escolaridade líquida em todos os níveis do sistema educativo dependentes do Ministério de Educação e Esporte: na pré-escola passou de 46,6% em 1998-99 para 63,6% em 2004-05; na educação básica -7° a 9° ano do ensino fundamental- de 46,9% para 62,3%; e no ensino médio de 21,57% para 30,62%) (43). Também destacam-se positivamente as políticas sociais chamadas Missões destinadas a combater o analfabetismo e a incluir as pessoas excluídas da educação fundamental, média e universitária (44). Também aumentou o investimento em educação (45).
Em 1999 milhares de camponeses sem terra aspiravam a uma reforma agrária e o Estado tinha milhões de hectares em boa parte improdutivos. O governo empreendeu um interessante processo de reforma agrária. Em 2005, mais de 3.000.000 de hectares tinham sido adjudicados a cooperativas e famílias camponesas e contra vários latifundiários tinham-se iniciado processos de expropriação. Mesmo tendo denúncias sobre irregularidades e ineficiências no processo, sem dúvida se avançou na democratização da propriedade da terra.
Com respeito ao direito à saúde, a implantação do programa chamado Barrio Adentro ampliou consideravelmente a cobertura dos serviços de atenção primária (46).
Em relação ao direito à seguridade social, o Instituto Venezuelano dos Seguros Sociais continuou cumprindo durante o ano de 2005 com o pagamento em dia das pensões das pessoas idosas homologadas ao salário mínimo, como vem ocorrendo de maneira regular desde 2000. Cabe lembrar que essa foi uma histórica reivindicação do movimento a favor dos direitos das pessoas aposentadas e pensionistas.
O governo também conseguiu democratizar relativamente à distribuição da riqueza através dos planos sociais chamados missões e de outras medidas de caráter social. Só no ano de 2006 o governo destinou pela via de recursos especiais 14,8 bilhões de bolívares para as missões (47). Isso permitiu que os setores mais vulneráveis aumentassem temporariamente sua capacidade de consumo (48) e percebessem que sua situação econômica tinha melhorado (49).
Pelo contrário, entre as sombras da gestão em relação com os DESC persistem elevados índices de pobreza extrema e pobreza (50); não se tem avançado num plano nacional de educação em direitos humanos nem tem indícios comprováveis de melhoras substantivas na qualidade da educação; não melhoram também significativamente os índices de desnutrição; não se conseguiu ainda estruturar o sistema de seguridade social aprovado pela Lei Orgânica de Seguridade Social (LOSSS) (51); o déficit habitacional é maior que o recebido (52); em relação ao direito à saúde, o desabastecimento dos insumos básicos e insumos médico-cirúrgicos, a falta de medicamentos, a deterioração dos equipamentos médicos ou a carência deles são, entre outros, fatores que continuam propiciando o pagamento indireto dos serviços e a manutenção de longas listas de espera para cirurgias e/ou realização de exames médicos especializados; em relação aos direitos dos povos indígenas e o direito ao ambiente saudável continuam impulsionando planos e projetos de “desenvolvimento”, na maioria das vezes inconsultos, que podem gerar danos irreversíveis no habitat e na cultura indígena, e inclusive comprometer seu futuro como povos, em flagrante contradição com o estabelecido na Constituição de 1999 (53). Além disso, ao longo de sua gestão o Estado manteve uma linha anti-sindical em relação aos sindicatos e centrais operárias identificadas com a oposição, violando de maneira permanente os Convênios 87 e 98 da Organização Internacional do Trabalho (54) sobre liberdade sindical e contratação coletiva.
Em boa medida os limitados resultados no campo social, apesar dos recursos disponíveis (55), dos anos de governo e do nível de hierarquia dada na linguagem oficial aos temas vinculados à pobreza, tem que ver com a ineficiência do governo para executar as políticas e os orçamentos aprovados (56). Já em 1999 Provea advertia sobre essa situação e constatava “que o Governo Nacional carece de uma política coerente que se plasme num plano de ação que oriente e guie a atuação das diversas entidades governamentais e que vincule os demais poderes públicos” (57)
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No campo dos direitos civis e políticos, o panorama é menos alentador. Apesar de que durante a gestão se garantiu a liberdade de informação e em geral se manteve uma atitude tolerante perante o protesto social (58) e se promoveu e impulsionou o surgimento de muitas formas de organização dos setores populares (59), outros direitos civis e políticos se viram afetados e inclusive houve retrocessos.
No ano de 1999, quando o Presidente Chávez inicia sua gestão, as violações ao direito à vida contabilizadas por Provea foram 101. No ano de 2005 registraram-se 162. Nos 7 anos produziram-se 1.245 (60) violações numa média anual de 177 (61).
No ano de 1999 morreram nas cadeiras do país de maneira violenta 471 presos. No ano de 2005, 408. Mesmo a cifra tendo caído , nos últimos 7 anos faleceram 2.358 pessoas a uma média anual de 336, ou seja, quase um preso por dia. Em 1999 as vítimas por violações à liberdade pessoal foram de 6.716. No ano de 2005, de 2.731. Uma queda significativa. Porém, nos 7 anos se produziram 33.296 violações a uma média de 5.546 anuais. Pode-se observar que, pelo menos no que diz respeito a esses três direitos, 7 anos depois persiste uma realidade muito similar à que encontrou o presidente Chávez ao iniciar sua gestão.
Como em épocas passadas, o governo também manteve presos políticos e processados políticos (62), aos quais negou sistematicamente sua condição, recorrendo ao discurso de desqualificá-los como “terroristas” ou “delinqüentes comuns”, tal como durante anos fez a dirigência política dos governos anteriores com seus opositores (63). Apesar de o alto governo manter um discurso que condenou os massacres ocorridos nos governos anteriores, entre eles os de Yumare (Estado de Yaracuy) (64), El Amparo (Estado de Apure) (65), Cantaura (Estado de Anzoátegui) (66), esta gestão tem no seu haver seus próprios massacres: os do Alto Apure (67), de La Paragua (Estado de Bolívar) (68), do bairro Kennedy em Caracas (69), da Rua Paez, em Barcelona (Estado de Anzoátegui) (70).
Declarações como as seguintes foram freqüentes: “acabaram-se as desaparições e as mortes ao estilo de Alberto Lovera, acabaram as torturas, acabou a repressão nas ruas. O país tem que entender isso para poder estabelecer a diferença entre o passado e o pressente. […] O que nós temos que fazer é não permitir que se repita o passado da IV República” (71) . No entanto, produziram desaparições forçadas durante o mandato do Presidente Chávez. Só no ano de 2005 produziram-se 17 (72). Mesmo assim, cabe assinalar que diferentemente do passado não afetaram opositores ou dissidentes políticos, e sim supostos delinqüentes acusados de cometer delitos contra a propriedade ou as pessoas. O Estado venezuelano, no ano de 2005, teve que admitir na Corte Interamericana de Direitos Humanos sua responsabilidade internacional pela desaparição de 3 pessoas detidas e desaparecidas em 1999 (73). Por outro ladro, os organismos policiais continuaram aplicando tratos cruéis, inumanos e degradantes, praticando a tortura e seus funcionários foram envolvidos em outras centenas de violações aos direitos humanos e delitos, sem que haja um número significativo de investigações que conduzam ao castigo dos responsáveis.
A deterioração dos corpos policiais constituiu um elemento de constante preocupação na população produzindo um alto nível de desconfiança na instituição policial (74) e foi um fator que favoreceu o incremento do delito (75). A insegurança cidadã se tornou assim a principal preocupação da população (76).
O Sistema de Administração de Justiça se caracterizou por sua ineficiência, falta de independência e por excluir os setores sociais de menor renda. Embora tenham se feito alguns avanços (77), o acesso à justiça continuou negado para os mais pobres e os critérios políticos partidistas prevaleceram nos mecanismos para designar magistrados e juízes, afetando a independência dos órgãos judiciais. A influência das velhas elites policiais no Poder Judicial e em outras entidades do Estado foi substituída pela influência das novas elites (78).
Por último, em relação à situação das pessoas defensoras de direitos humanos também há luzes e sombras. Por um lado, é verdade que em termos gerais -salvo exceções - (79) as organizações não governamentais de direitos humanos não tiveram dificuldades para fazer seu trabalho e não sofreram sérios obstáculos por parte do Estado para exercer sua função. Também não foram objeto de perseguições, invasões, nem abertura de processos, este último caso também com uma exceção (80). Lamentavelmente, neste período foi assassinado o primeiro defensor de direitos humanos venezuelanos (81), Joe Castillo, Coordenador do Vicariato Apostólico de Machiques, por parte de suposto paramilitares colombianos, permanecendo até agora o caso na impunidade. Entretanto, não se pode dizer o mesmo dos familiares de vítimas que foram acossados após fazerem denuncias, aumentando progressivamente os riscos para eles (82). A intolerância política de pessoas afetas ao governo e à oposição, a intolerância do governo frente a critica e os desejos de fazer calar toda opinião de quem não aprove as ações e políticas governamentais, acarretaram riscos cada dia mas freqüentes e persistentes (83).
Por outro lado, no marco do processo de reforma agrária, mais de 50 dirigentes ou membros de organizações camponesas foram assassinados. Ainda que nesses assassinatos, supostamente, não estejam vinculados diretamente funcionários estatais, e sim particulares a serviço de donos de terras, a responsabilidade do Estado radica na impunidade na que permanece a maioria desses assassinatos, o que favorece, por sua vez, que continuem ocorrendo.
Outrossim, entre outubro de 2005 e setembro de 2006, 60 pessoas (84), muitas delas líderes sociais, foram processadas nos tribunais nacionais por participar de atividades vinculadas à exigibilidade de seus direitos (85), isso a partir de uma reforma regressiva do Código Penal que criminaliza o protesto social.
No último semestre dessa gestão, membros da aliança de governo promoveram uma lei que poderia afetar o funcionamento de muitas organizações sociais que recorrem ao financiamento de fontes externas para promover e realizar suas atividades (86). De acordo com porta-vozes oficiais, o objetivo é controlar as organizações-não-governamentais (87). O negativo precedente de imputar, por delito de traição à pátria, dirigentes da organização Súmate por terem recebido fundos do exterior e os destinado a atividades lícitas (88), é um antecedente negativo já que se poderiam abrir no futuro processos judiciais contra membros de organizações-não-governamentais que recebam fundos de fonte internacional.
Os desafios do futuro governo
O novo governo que surja da vontade popular em 03.12.06 encontrará um país com contradições e dificuldades, mas também com oportunidades e possibilidades para aprofundar a inclusão e a democracia substantiva. O ano de 2006 termina com um crescimento econômico sólido nos últimos 11 trimestres, fato que não acontecia desde 1990. As reservas internacionais ultrapassam os 30 bilhões de dólares americanos (89); muito provavelmente se manterão nos próximos anos os altos preços petroleiros (90) e continuará uma alta arrecadação tributaria. Há indícios de que o crescimento econômico se sustentará por vários anos. Em contraste com essa situação, o país encontra-se com mais dívida de que 8 antes (91), o gasto público cresce a ritmo acelerado e persiste o déficit fiscal (92) e ascendem as importações de manufaturas e alimentos. Além disso, haverá que esperar os efeitos da integração ao Mercosul (93). Por outro lado, a corrupção continua desviando recursos destinados ao social e a ineficiência da gestão publica gera mal-estar, sobretudo nos setores mais pobres que começam a cansar do incumprimento das promessas e questionam a falta de recursos (94). O novo governo tem que enfrontar uma imensa pressão popular e certamente sejam tempos de maiores ações de exigibilidade de direitos e talvez radicalização de conflitos.
Em nossa opinião, o novo governo tem que trabalhar em 5 eixos prioritários para melhorar a situação dos direitos humanos no país, fortalecer a democracia e afiançar a justiça social e eqüidade:
1) Combater a pobreza com políticas integrais e sustentáveis no longo prazo.
A democratização da riqueza tem que ser a principal missão do futuro governo. Esse é o componente fundamental se pretende consolidar um sistema democrático. Enquanto milhões de pessoas continuarem excluídas dos benefícios da riqueza nacional, o sistema democrático continuará fraco e com riscos de enfraquecer ainda mas. As condições de pobreza nas que vivem setores importantes da população constitui a maior violação de seus direitos humanos. Atacar com celeridade, certeza e com políticas e programas sustentáveis no longo prazo as causas dessa pobreza, é a principal meta dos próximos anos. Deve-se avançar igualmente no cumprimento das metas do milênio. É preciso acabar com a desordem nas fontes de financiamento das políticas e programas sociais (94). Deve-se manter a alta taxa de investimento, embora orientada pela via do orçamento ordinário. Deve terminar a prática de fazer o investimento social através do orçamento paralelo. Além de ser inconstitucional (95), favorece os manejos irregulares na administração dos recursos públicos e dificulta as validações sobre os resultados e a accountability social. Devem ser avaliados os programas sociais chamados missões, potencializar o positivo e corrigir seus erros, eliminar os que for necessário e sobretudo integrá-las com metas de curto, médio e longo prazo à institucionalidade ordinária. A produção de dados confiáveis, verificáveis e públicos é um imperativo para exercer o direito à participação e à accountability social que a Constituição garante.
Urge construir um sólido sistema de seguridade social. É uma maneira de melhorar a qualidade de vida de um importante setor da população. O Estado não pode continuar fortalecendo as empresas privadas de seguros, enquanto a institucionalidade da seguridade social conforme mandato constitucional continua ainda sem se construir.
É necessário fortalecer a institucionalidade estatal. Um Estado com tais características é fundamental para a garantia da luta contra a pobreza. Deve-se priorizar a participação do Estado naquelas áreas que direta ou indiretamente favoreçam a satisfação dos Desc.
Deve cessar o endividamento público e o dinheiro que hoje se destina ao pagamento dos juros da divida devem ser investidos nos programas sociais.
É preciso continuar e aprofundar a reforma agrária, mas ela também deve ser melhorada. Além de entregar a terra aos camponeses, deve-se regularizar o título de sua propriedade e melhorar o financiamento através de créditos e fazer efetiva a assessória técnica.
Sem deixar de promover e facilitar a organização dos cidadãos em cooperativas deve-se priorizar a criação de fontes de trabalho formal, reduzir o emprego informal e levar o desemprego a níveis baixos.
Finalmente, o governo deve controlar a inflação, e manter a recuperação do salário.
Todas essas medidas desenvolvidas de maneira coerente podem permitir em médio prazo reduzir de maneira considerável os níveis de pobreza.
2) Fortalecer a institucionalidade democrática garantindo uma ação eficiente e independente dos poderes constitucionais.
É preciso dar mostras inequívocas de uma real divisão de poderes que sem deixar de colaborar mutuamente entre si, atuem com autonomia e sejam capazes de estabelecer os contrapesos necessários para uma administração adequada do Estado.
O Poder Executivo, nos próximos anos, deve reduzir o excessivo protagonismo do presidencialismo já que o mesmo não resulta conveniente para uma administração democrática da institucionalidade do Estado.
No caso de se dar um processo de reforma da Constituição deve-se estabelecer expressamente o caráter não deliberante da FAN e a proibição de exercer simultaneamente a autoridade civil e militar na vida institucional do país.
Deve-se exigir dos funcionários que cumpram com o mandato constitucional de servidores públicos a serviço dos cidadãos e cidadãs e não de uma corrente ou partido político, e o Presidente da República deve ser quem dê o exemplo.
3) Criar um clima apropriado para o diálogo, para administrar os conflitos de forma democrática e para construir consenso em torno dos problemas fundamentais do país e suas soluções.
É preciso criar espaços e condições para a reconciliação do país. Sem deixar de reconhecer as diferenças nem de salutar a confrontação saudável, deve-se criar espaços e mecanismos para dirimir os conflitos e viabilizar propostas de maneira democrática. A maior parte do país quer a paz e a reconciliação. Superar os graves problemas que afetam hoje a sociedade venezuelana requer um esforço coletivo e de consensos básicos. Aquele que dirigir os destinos do país deverá criar um clima que favoreça o diálogo entre os diversos atores, que acolha e reconheça a diversidade e que sem anulá-la se construa um acionar comum para o desenho e a execução das políticas públicas.
Para alcançar esse clima é preciso começar pondo fim à discriminação política e deixando de ver aquele que pensa diferente como um inimigo a ser derrotado.
Deve-se garantir a livre expressão das idéias e a liberdade de associação sem que isso signifique um risco para a continuidade trabalhista ou para obter um trâmite numa instituição ou entidade pública.
4) Combater a impunidade e implementar um Plano Nacional de Direitos Humanos
A impunidade é a principal aliada das violações aos direitos humanos. Devem ser adotadas medidas institucionais, de orçamento e educativas para prevenir as violações aos direitos humanos, pesquisar as que ocorrem e sancionar os responsáveis.
O desenvolvimento de políticas consistentes, coerentes e integrais por parte das instituições e entidades do Estado para prevenir as violações e criar condições para o exercício e a satisfação dos direitos humanos podem ser facilitado através da elaboração de um Plano Nacional de Direitos Humanos, com participação cidadã. . Isso permitirá coordenar os distintos órgãos e entidades do Estado, definir políticas integrais e estabelecer metas de curto, médio e longo prazo que guiem a ação do Estado.
O processo de reforma policial iniciado deve ser mantido para alcançar uma profunda transformação dos corpos policiais. O futuro governo deve traçar como uma de suas metas essenciais a diminuição do delito no contexto de uma ação contundente e integral de segurança cidadã democrática e por tanto que respeite os direitos humanos.
5) Criar condições e mecanismos para garantir a participação da população nos assuntos públicos; criar cidadania e garantir o funcionamento autônomo das organizações sociais.
É preciso recuperar a confiança da população no sistema eleitoral tanto para exercer o direito ao voto como para os diferentes mecanismos referendários previstos na Constituição.
Deve ser melhorado o aceso à informação pública e as estatísticas do país. Garantir de diversas maneiras o exercício da accountability social sobre a administração pública. Parar toda intervenção do Estado nas organizações sindicais, comunais, ONG, abster-se de criar obstáculos para seu funcionamento e criar espaços para que a partir de seus interesses e necessidades apresentem suas propostas e exigências. Garantir um trato não discriminatório para todos aqueles cidadãos e cidadãs que queiram, no contexto da lei, estabelecer formas organizativas que considerem mais adequadas e parar toda coação que obrigue as pessoas a participar a favor ou contra um determinado fator político.
Quem governe nos próximos seis anos tem o desafio de construir uma democracia com justiça social, com instituições sólidas e eficientes, com menos pobres, com cidadãos mais conscientes de seus direitos e com uma significativa diminuição das violações aos direitos humanos e à impunidade, assim como criar condições adequadas para o exercício e desfrute de todos os direitos humanos sem discriminação.
Estas ou outras políticas e medidas permitirão produzir transformações estruturais no país para o bem de todos, principalmente dos setores historicamente excluídos.
(1) Chávez foi eleito presidente em 06.12.98 com 56,20% dos votos para um período de cinco anos e assumiu a presidência em 02.02.99. Ao se realizar o processo constituinte no ano de 1999, acordou-se que deviam ser relegitimados todos os poderes, incluindo o Poder Executivo. Em 30.07.00 foi convocada uma nova eleição presidencial, ganhando Chávez com 59,5% dos votos, mas dessa vez para um período de seis anos de acordo com a nova Constituição.
(2) Entrevista feita por Boris Muñoz a Margarita López Maya: “Aqui no hemos superado el discurso ramplón”. El Nacional. Siete Dias. 29.01.06, pág D-6
(3) Cabe destacar que algumas políticas e projetos do governo são claramente neoliberais. Tal é o caso dos megaprojetos de exploração de gás, petroleira e mineira em territórios indígenas ou a manutenção do Imposto ao Valor Agregado (IVA) que é um imposto regressivo que afeita os setores mais pobres.
(4) Fortaleceu-se a participação do setor público na economia do país e na área social, embora tenha se excedido ao intervir nas áreas não essenciais da economia e ao querer exercer controle sobre as organizações sociais.
(5) Segundo o presidente Chávez o conteúdo desse socialismo esta por construir-se; é uma idéia e deve ir-se perfilando na teoria e na pratica.
(6) Provea recebeu denúncias de funcionários públicos que foram obrigados á participar em atos e mobilizações a favor do governo sob o risco de serem demitidos. Ver Anexo: Participação obrigatória em “Alô Presidente”.
(7) El Nacional, 21.04.02, pág. H-1.
(8) Isso não inclui toda a oposição política, mas sim a alta dirigência política de Ação Democrática e COPEI.
(9) Um dos casos mais ressaltantes foi o questionamento aberto aos programas sociais do governo denominados missões e particularmente ao programa de saúde “Barrio Adentro”. Com o passar dos anos alguns setores da oposição retificaram e valoraram de maneira positiva as missões.
(10) Principalmente durante os anos de 2002 e 2003 utilizou-se a convocação da população na rua ou outro tipo de ações para respaldar o governo ou para questioná-lo.
(11) A fraude eleitoral foi uma denúncia permanente dos setores que contrariaram Chávez, denúncia que foi feita com maior intensidade com relação ao referendum do ano de 2004.
(12) LANDER, Edgardo: El Diálogo después del golpe. Question. Caracas, agosto 2002, pág. 5.
(13) A Federação de Câmaras Empresariais (Fedecamaras) e a Confederação de Trabalhadores da Venezuela (CTV) em uma inusual aliança e com o respaldo da cúpula da igreja católica, tinham previamente convocado a uma greve nacional e à tomada das ruas, conseguindo mobilizar milhares de pessoas em todo o país exigindo que o Presidente Chávez abandonasse o poder.
(14) O Decreto Nº. 1 de Pedro Carmona Estanga continha entre outros aspectos o seguinte: No seu Artigo 3. “suspende de seus cargos os deputados principais e suplentes à Assembléia Nacional”; o 7 outorga ao “Presidente da República em Conselho de Ministros” a potestade de “renovar e designar transitoriamente os titulares dos poderes públicos, nacionais ,estaduais e municipais”; o 8 destitui de seus cargos “o presidente e demais magistrados do Tribunal Supremo de Justiça, assim como o Fiscal Geral da República, o Defensor do Povo e os membros do Conselho Nacional Eleitoral” e outorga ao “Presidente da República em Conselho de Ministros prévia consulta com o Conselho Consultivo” a potestade de designar “os cidadãos que exercerão transitoriamente esse poderes públicos”; o 10 assinala que “se mantém em plena vigência o ordenamento jurídico enquanto não colida com o presente decreto nem com as disposições gerais que dite o novo governo de transição democrática”.
(15) PROVEA: Mitos que obstaculizan el diálogo y la profundización de los cambios democráticos. 27.02.02. [on line] www.derechos.org.ve.
(16) Na madrugada de 14.04.02 o Presidente Chávez retomou o poder. Durante os dias 12 e 13 de abril milhões de pessoas em todo o país, principalmente dos setores mais pobres da população, protestaram na rua contra o governo de fato e exigiram o regresso de Hugo Chávez à Presidência.
(17) Desde outubro de 2001 até setembro de 2004 Provea tinha contabilizado a morte de 107 pessoas nos fatos vinculados à confrontação política.
(18) El Nacional [on line] <www.el-nacional.com. 01.10.02.>
(19) Modalidade de protesto impulsionada pela oposição que consistia em fechar ruas e avenidas em setores urbanos para impedir o trânsito e a mobilidade das pessoas. Muitas das “guarimbas” degeneraram em ações violentas onde faleceram várias pessoas, outras resultaram feridas por civis que fizeram uso de armas de fogo ou pelos corpos armados do Estado.
(20) Provea constatou que no setor privado e em órgãos e entidades do Estado controlado por fatores políticos da oposição produziram-se também demissões de simpatizantes do governo.
(21) O deputado Luis Tascón publicou num site a identificação das pessoas que assinaram contra a ratificação de Chávez no poder e a partir desse momento produziram-se milhares de demissões no setor público de pessoas supostamente simpatizantes da oposição.
(22) À época da redação deste informe o Ministro de Energia e Minas Rafael Ramírez numa intervenção pública afirmou: “que acontece aqui?, é que aqui ficou todo mundo louco? , é que é verdade então que temos infiltrações dos esquálidos, dos inimigos desta revolução [...], nosso pulso não treme, nós tiramos desta empresa dezenove mil e quinhentos inimigos deste país e estamos dispostos a continuar tirando”. Globovisión : Transcrição do discurso do Ministro Rafael Ramírez [on line] <http://www.globovisión.com/print.php?nid=417308origen=1>.
(23) A esse respeito, César Gaviria, então Secretário Geral da OEA, assinalou em seu informe à Assembléia dessa organização que: “... a atitude da oposição, de não abrir sequer um pequeno espaço para reconhecer o triunfo do presidente Chávez,a colocou em uma situação complexa frente à comunidade Internacional que não chega a compreender como o referendum não contribuiu mais para resolver a agitação política e, até onde temos observado, não entende suas razões para desconhecer o resultado”. PROVEA: Informe Anual outubro 2003-setembro 2004. [on line] <http://www.derecho.org.ve/informe anual>.
(24) No marco do processo eleitoral de 03.12.06, tanto Hugo Chávez como o principal candidato da oposição Manuel Rosales, destacaram nas suas campanhas os temas relacionados com o combate à pobreza.
(25) PROVEA: Sim ou não. Pistas para um voto pensado. 1999 [on line] http://www.derechos.org.ve/actualidad/coyuntura/1999.
(26) Essa excessiva intervenção do aspecto militar nos assuntos públicos foi, entre outras, uma das condições favoráveis para que acontecesse o Golpe de Estado de 2002.
(27) José Luis Carrillo: La única guerra posible será contra la invasión de EEUU. Ultimas Noticias, 11.10.06, pag 14.
(28) Elizabeth Núñez: Venezuela gasto en el 2005 más de 4 billones en equipos militares. El Nacional, 02.01.06, pág, A-2.
(29) Cenovia Casas: Frente Francisco de Miranda recibirá fusiles Kalashnikov. El Nacional, 18.01.06, pág A-2.
(30) William E. Izarra: Comandos Populares. Panorama, 20.02.06, pág 1-4.
(31) Não há nenhuma norma que diga que um militar deve ser Ministro da Defesa. É um costume institucional que se rompeu transitoriamente no ano de 2001, quando o Presidente Chávez nomeou o advogado e jornalista José Vicente Rangel nesse cargo. Os posteriores ministros da defesa foram militares.
(32) A Plataforma política que se nucleou em torno da candidatura de Hugo Chávez denominou-se Pólo Patriótico e foi integrado, entre outros partidos, pelo Movimento V República, o Partido Pátria Para Todos, o Movimento ao Socialismo e o Partido Comunista.
(33) Uma boa parte dos dirigentes que ocupam altos cargos no governo foi vítima de violações a seus direitos humanos e outros destacaram-se por sua permanente denúncia, como é o caso do Vice-presidente da República José Vicente Rangel ou do Ministro do Trabalho Ricardo Dorado.
(34) POLOPATRIOTICO: Propuesta constitucional [ on line] http://www.analitica.com/constituyente/civil/ polo.asp#Presentación.
(35) O projeto de Constituição que surgiu foi submetido a um referendum em 15.12.99. Um total de 3.301.475 eleitores pronunciou-se a favor do texto e 1.298.105 votaram contra.
(36) Em seu programa Alô Presidente N° 158 do 03.08.03 o Presidente Chávez reafirmou: “A Assembléia Constituinte foi só uma etapa para transitar novos caminhos, agora o maior desafio que temos e eu tenho dito, irmãos e irmãs, e para isso dedicaremos nossa vida, é fazer realidade os postulados, mais que os postulados do projeto nacional que está aqui recolhido, aqui tem um projeto político, aqui tem um projeto econômico, tem um projeto social, um projeto cultural, um projeto endógeno, um projeto inclusive com reafirmações internacionais, é o projeto nacional que leva o nome de Simón Bolívar e por isso a República Bolivariana da Venezuela...”.
(37) Provea resumiu os avanços nos seguintes termos: “... Esta Constituição plasma de um modo realmente progressivo e vanguardista os direitos humanos, embora a arquitetura de poder (também plasmada na Constituição) suponha um risco potencial para a concretização dos mesmos”. As organizações de direitos humanos conseguiram avanços substantivos na matéria. Alguns deles são: 1) constitucionalização dos tratados sobre direitos humanos; 2) exclusão da justiça militar (histórica fonte de impunidade) para julgar delitos de direitos humanos; 3) imprescritibilidade dos delitos graves de violação aos direitos humanos; 4) proibição do indulto ou anistia a pessoas que tenham violado os direitos humanos; 5) obrigação estatal de investigar e sancionar os delitos de ddhh; 6) reconhecimento da legitimidade de denunciar ao Estado ante instancias internacionais de ddhh e obrigação do Estado de dar cumprimento às decisões dessas instâncias; 7) obrigação do Estado de reparar os danos causados às vítimas de violações de direitos humanos; 8) proibição expressa da desaparição forçosa de pessoas; 9) progressividade em matéria de direitos sociais; 10) reconhecimento dos direitos originários dos povos indígenas; 11) reconhecimento de novos direitos (como o ambiente saudável, os direitos das pessoas com necessidades especiais, entre outros); 12) reconhecimento dos direitos ou interesses coletivos e difusos; 13) reconhecimento da possibilidade de um serviço social diferente do militar; 14) criação de uma Sala Constitucional no máximo tribunal; 15) criação do Defensor do Povo (figura conhecida também como defensor dos direitos humanos); 16) criação do Comitê de Postulações Judiciais; 17) excelente regulação dos Estados de Exceção; e 18) inclusão de temas fundamentais de direitos humanos nas disposições transitórias.
(38) Em 02.02.99 produziu-se o ato de transmissão de cargo. Rafael Caldera culminava assim seu segundo mandato presidencial e Chávez iniciava sua primeira gestão.
(39) CHAVEZ FRIAS, Hugo Rafael: La propuesta de Hugo Chávez para transformar a Venezuela, Mímeo. Caracas, Octubre 1998. Pág. 15.
(40) Idem.
(41) Em matéria de direito à educação, por exemplo, propunha eliminar a educação gratuita no setor universitário. Quanto à seguridade social, as políticas se perfilavam a desmantelar o seguro social e, no setor saúde, a promover as empresas privadas de serviço de saúde e a formalização do pagamento nos hospitais públicos.
(42) No setor habitação, por exemplo, promulgaram-se três leis com um adequado conteúdo no que diz respeito e ao direito humano à habitação: A lei do Subsistema de Habitação e Habitat, a Lei de titularidade da Terra Urbana e a Lei de Proteção ao Devedor Hipotecário.
(43) Cálculos próprios com os dados da Memória e Contas do Ministério de Educação dos anos correspondentes e da população segundo o Instituto Nacional de Estatísticas.
(44) Os objetivos, alcances quantitativos, assim como as dificuldades e debilidades de cada uma delas se analisaram nos respectivos informes anuais desses anos e também no presente.
(45) Segundo cifras oficiais, no ano de 1998 o investimento em educação era equivalente a 3,4% do Produto Interno Bruto e no ano de 2005 foi de 4,2% do PIB. [on line] <http://www.sisov.mpd.gov.ve/indicadores.>
(46) O balanço oficial até março de 2006, assinala que Barrio Adentro I manteve presença em todo o território nacional, em umas entidades federais mais que em outras, com uma cobertura de 17 milhões de habitantes, mesmo o sistema de saúde tradicional mantendo uma cobertura de 3,5 milhões de pessoas. Em: ORGANIZACIÓN PANAMERICANA DE LA SALUD Y MINISTERIO DE SALUD: Estrategia de Cooperación de OPS/OMS con Venezuela 2006-2008. Caracas, junho 2006. Pág. 52
(47) Conforme o Vice-ministro de Finanças Eudomar Tovar, desde 2003 o governo destinou 25,8 bilhões de bolívares.
(48) Algumas dessas missões incluem uma bolsa ou pagamento a quem participa nela. Por essa via pessoas sem emprego obtém algumas receitas e pessoas com emprego incrementam os próprios. Raquel Barreiro: Pobres recuperan poder adquisitivo. El Universal, 08.09.06. [on line] http://economia.eluniversal.com/2006/09/08/eco_art_08201A.shtml.
(49) Raquel Barreiro: 56% de la población satisfecha con su situación de bienestar. El Universal, 23.08.06, pág. 2-5.
(50) Conforme o Instituto de Estatísticas para o segundo semestre do ano de 2005 a pobreza era de 39,7% e a pobreza extrema de 15,3%, ou seja, mais de 4 milhões de pessoas vivem em extrema pobreza. No ano de 1999 era de 42,8% a pobreza e a pobreza extrema era de 16,)%. [on line] http://www.ine.gov.ve/indicadores
(51) Mesmo tendo aprovado a Lei Orgânica do Sistema de Seguridade Social, ainda não se conseguiu implementar o sistema de seguridade social criado pela mesma, com o qual a maioria da população está excluída dos benefícios que o sistema brinda aos trabalhadores beneficiários.
(52) Quanto à construção de novas moradias a gestão de governo tem sido negativa e em sete anos construiu menos de 50% das metas estabelecidas. De 1999 a 2005 o governo só construiu 110.000 moradias. O Presidente Chávez se comprometeu no ano de 2005 a construir 120.000 moradias e só construiu 13% dessa meta.
(53) Entre eles destacam-se: 1) Os planos de exploração petroleira e gasifica do Delta do Orinoco e da Costa de Paria no Estado de Sucre; o projeto do Gasoduto ao Sul (Venezuela – Brasil - Argentina); o projeto do gasoduto transguajiro entre Colômbia e Venezuela; a exploração de gás no Estado de Falcón com o Projeto Rafael Urdaneta, e a exploração da Faixa Petrolífera do Orinoco; tudo isso como parte da política impulsionada pelo governo, de converter a Venezuela na maior potência energética do planeta; 2) Os planos mineiros, entre os que encontramos a abertura mineira de oro e diamantes na Reserva Florestal de Imataca; o crescimento acelerado da exploração mineira ilegal na Bacia Alta do Rio Caroní e a exploração do carvão na Serra de Perijá, contra a perseverante posição assumida em rejeição dessa atividade por parte dos indígenas afetados. 3) A exploração florestal nas reservas florestais e as plantações de monoculturas de pinheiros, melinas e eucaliptos em extensas áreas do território, principalmente nos estados Anzoátegui e Monagas.
(54) Durante cinco anos consecutivos a Organização Internacional do Trabalho chamou a atenção do Estado venezuelano por sua ingerência nos assuntos sindicais.
(55) Dos 7 anos de gestão, durante cinco houve altas receitas petroleiras, que permitiram passar de um gasto público de 15 bilhões de bolívares no ano de 2003 a um gasto de mis de 100 bilhões no ano de 2006.
(56) No setor habitação, por exemplo, para o ano de 2003, o Inavi, que resultou a entidade com maior número de habitações programadas entre os organismos nacionais, apresentou o nível de execução física menor (apenas 13%). Por sua vez, as entidades regionais, cuja alocação muda em função dos projetos apresentados perante o Conavi, executou 14% das habitações programadas. Ver PROVEA: Trabajo Especial: Derecho a la vivienda y hábitat dignos en Venezuela. Balance 1999-2005. Informe Anual outubro 2004-setembro 2005. Caracas 2005.
(57) Ver PROVEA: Informe anual 1999-2000. Caracas, noviembre 2000. Capítulo Contexto
(58) Segundo cálculos próprios a partir da base de dados de Provea, nos sete anos se produziram 10.558 protestos e foi baixa a porcentagem de mobilizações reprimidas.
(59) Tais como cooperativas, comitês de terra, mesas técnicas de água, círculos bolivarianos, entre outras.
(60) Em 21.07.00, Provea já advertia ao governo e à sociedade o incremento alarmante de violações ao direito à vida. [on line] http;//www.derechos.org.ve/actualidad/comunicados/notas_de prensa.
(61) Nos governos anteriores o número de violações ao direito à vida foi também alto. Entre 1989 e 1997 a média anual de violações foi de 140 casos. [on line] <http://www.derechos.org.ve/comunicados/notas_prensa.21.07.00.>
(62) Alguns militares opostos ao governo foram processados e condenados por diversas causas, abriram-se processos judiciais contra vários civis supostamente envolvidos no Golpe de Estado e alguns lutadores sociais foram encarcerados após fazerem ações de exigibilidade de direitos.
(63) Os governos da Ação Democrática e COPEI nunca reconheceram como presos políticos os opositores e dirigentes sociais encarcerados que eram qualificados de “guerrilheiros” ou “comunistas”.
(64) Em 08.05.86 durante o governo de Jaime Lusinchi foram assassinadas 9 pessoas por um comando da Direção dos Serviços de Inteligência e Prevenção (DISIP), na população de Yumare, Distrito Bolívar, Estado de Yaracuy.
(65) Em 29.10.88, durante o governo de Jaime Lusinchi, 14 pescadores foram assassinados no Estado de Apure pela ação de funcionários militares e policias que integravam o Comando Especifico José Antonio Paez.
(66) Em 04.10.92, durante o governo de Luis Herrera forças militares e policiais atacaram um grupo de guerrilheiros da organização Bandeira Vermelha, dando morte a 23 pessoas, a maioria delas depois de haverem sido capturadas vivas.
(67) Oito pessoas foram assassinadas em 20.07.06, perto da população da Victoria, Edo Apure, entre eles dois adolescentes. Um soldado assumiu a responsabilidade dos fatos e acusou mais 10 oficiais de ter participado nesse assassinato coletivo.
(68) 10 pessoas dedicadas a atividades mineiras morreram em 22.09.06 como conseqüência da suposta atuação de oficiais do exército adscritos ao Teatro de Operações N° 5.
(69) Em 27.06.05 três estudantes universitários após terem sido detidos vivos, foram assassinados por funcionários da Direção de Inteligência Militar e da Policia de Caracas. Um ano depois, os funcionários foram sentenciados a penas entre 10 e 30 anos.
(70) Em junho de 2005, 11 pessoas foram assassinadas pelo Corpo de Investigações Cientificas Penais e Criminalísticas em uma moradia situada na Rua Paez em Barcelona, Estado de Anzoátegui após ter sido detidas vivas.
(71) Vice-presidente: Es necesario darle una paliza al pasado, a la derecha y al imperialismo el 3D. [on line] http://www.vicepresidencia.gov.ve.
(72) PROVEA: Situación de los Derechos Humanos en Venezuela. Informe Anual. Octubre 2004-septiembre 2005. Caracas 2005. Pág. 295.
(73) Durante a tragédia natural ocorrida no Estado de Vargas em dezembro de 1999 funcionários policiais e militares na zona procederam a deter 4 pessoas de quem nunca mais se conheceu seu paradeiro. Com o apoio de organizações de direitos humanos o caso foi apresentado nas instâncias internacionais de proteção dos direitos humanos.
(74) Segundo uma pesquisa feita em agosto de 2006 pela empresa Hinterlaces, 74% da população opinava que a corrupção policial tinha aumentado e 71% desaprovava o trabalho da polícia.
(75) Os homicídios no país tiveram uma linha de ascenso desde 2000 passando de 8.022 para 11.136 em 2004.
(76) Segundo uma pesquisa feita em agosto pela empresa Hinterlaces, 85% da população opinava que o principal problema do país era a insegurança.
(77) O mais importantes se produzem com a reforma do processo trabalhista que permitiu celeridade na solução das controvérsias e maior transparência nos processos.
(78) Dirigentes e simpatizantes políticos da aliança governista converteram-se de um momento a outro em juizes “independentes”. O caso mais ressaltante é o de Luis Velásquez Alvaray, quem passou em poucos meses de ser dirigente do Movimento V República a magistrado da Sala Constitucional do Supremo Tribunal de Justiça.
(79) A organização Comitê de Familiares de Vítimas dos Acontecimentos de Fevereiro-Março de 1989 (COFAVIC) viu-se obrigada a solicitar medidas provisionais a Corte Interamericana de Direitos Humanos como conseqüência das reiteradas ameaças recebidas por supostos simpatizantes do governo.
(80) Uma exceção a constitui a pesquisa que iniciou o Ministério Público contra o advogado Carlos Ayala Corao, ex-presidente da Comissão Interamericana de Direitos Humanos quem se pretendeu vincular com o Golpe de Estado de2002.
(81) Joe Castillo foi assassinado em 27.08.03 na Urbanização Tinaquillo de Machiques (Edo. Zulia).
(82) Durante o último ano de gestão, houve um atentado contra a ativista Maria del Rosario Guerrero Galucci, sendo supostamente autor intelectual o governador do Estado de Guárico Eduardo Mannuit. Também o ativista Humberto Padro foi atacado de forma pública pela dirigente da aliança governista Lina Ron; a ativista Sara Mier recebeu ameaças no Estado de Aragua e contra o ativista Rafael Escobar se iniciou um processo por solicitar a investigação de uma desaparição forçada.
(83) Quando se iniciou o governo do presidente Chávez nenhum ativista de direitos humanos se tinha visto obrigado a solicitar medidas de proteção em instancias internacionais. Em 7 anos, 8 ativistas tiveram que pedir medidas cautelares à Comissão Interamericana de Direitos Humanos ou provisionais à Corte Interamericana de Direitos Humanos.
(84) Ver no final deste Informe Anexo: “Pessoas afetadas por restrições legais ao direito a manifestar”.
(85) Paradoxalmente boa parte desses líderes e lutadores sociais processados nos tribunais se identificam com o processo político que dirige o presidente Chávez.
(86) Conforme o projeto de lei, as organizações-não-governamentais nacionais e internacionais, para poderem atuar, têm que se registrar novamente perante um organismo dependente do Executivo e devem expor suas fontes de financiamento e informar sobre as atividades que realizam.
(87) Pedro Pablo Peñaloza: Claro que controlaremos a las ONG. El Universal, 14.06.06, pág.1-5.
(88) Vanesa Gómez Quiroz: Súmate: enfrentamos un proceso político. El Nacional, 08.02.06, pág. A-2.
(89) BANCO CENTRAL DA VENEZUELA. Reservas. [on line] http://www.bcv.gov.ve.
(90) A média dos preços do petróleo durante o ano de 2005 foi de 53,52 dólares por barril.
(91) Segundo cifras do Ministério de Finanças, em março de 2006 a dívida pública externa era de 31.063 milhões de dólares.
(92) Mayela Armas: Las arcas del fisco están rebosantes de ingresos. El Universal, 16.04.06, pág.2-1.
(93) Alguns setores econômicos têm expressado que o ingresso ao Mercosul poderia prejudicar setores importantes da economia. Outros, pelo contrário, têm manifestado que se abre uma oportunidade para crescer no plano econômico e social.
(94) O próprio Presidente Chávez no seu programa Alô Presidente N° 246 reconheceu a ineficiência de funcionários do governo e a existência de fatos de corrupção e chamou a combater “esses mecanismos perversos da administração” [on line] http://www.alopresidente.com.ve.
(95) Além do orçamento ordinário o governo assumiu a prática de executar uma parte do gasto social através do Fundo para o Desenvolvimento Econômico e Social; o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social; o Fundo de Desenvolvimento Nacional e outras fontes de financiamento.
(96) O artigo 314 da Constituição estabelece: “Não se fará nenhum tipo de gasto que não tenha sido previsto na lei de orçamento. Só poderão ser decretados créditos adicionais ao orçamento para gastos necessários não previstos ou cujas partidas resultem insuficientes, sempre que o tesouro conte com recursos para atender à respectiva alocação;a esse efeito, será requerido previamente o voto favorável do Conselho de Ministros e a autorização da Assembléia Nacional ou, em seu defeito, da Comissão Delegada”.
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